Equinos mais resistentes ao sobrepeso
Levantamento do Ministério da Saúde apontou que nos últimos quatro anos a proporção de pessoas com excesso de peso subiu de 42,7% para 46,6%. Dado que foi observado de maneira particular por Pedro Monteiro Lopes em suas propriedades rurais da Fronteira Oeste: os peões estavam ganhando peso a cada ano. Isso passou a exigir cavalos mais resistentes e o levou a fazer o cruzamento do gigante percheron com éguas crioulas.
O resultado foi um animal mais largo, de cinco a 10 centímetros mais alto do que um crioulo, mas não tão pesado e alto como o percheron – que, puro, chega a pesar o mesmo que um fusca e medir quase dois metros de altura. Lopes é presidente da Associação Brasileira de Criadores de Percheron, raça com pouco mais de cem exemplares puros no Estado.
Sem objetivo de registrar o cruzamento como uma nova raça, o criador ressalta que, ao colocar os animais no trabalho, descobriu potencialidades que iam além da resistência:
– São mais dóceis e domados com maior facilidade, o que diminui o risco de acidentes para os peões. Acabaram contribuindo até para as fazendas serem ecologicamente mais corretas. A comida, que era levada ao gado de trator, agora vai em uma carroça puxada facilmente por um animal cruzado.
O criador vem fazendo a experiência há quatro anos. Possui 25 exemplares cruzados, frutos de pai percheron com mãe crioula, e até o final do ano que vem pretende dobrar o número de equinos “percheirolos”, alcunha carinhosa adotada para os cruzados:
– Fizemos a experiência para sanar as necessidades das nossas fazendas e acho que deu certo. Tenho pelo menos um exemplar em cada uma delas. Eles têm qualidades e desvantagens – afirma Lopes.
Mesmo que não busque a comercialização, o dirigente admite que já existe uma procura pelos exemplares por parte de criadores do centro do país. Um animal cruzado pode ser vendido a R$ 5 mil. Um percheron puro custa em média R$ 15 mil.
As características do animal ficam mais aparentes a partir do segundo mês de vida, explica Miguel Madeira, gerente do haras Pitangueira, onde está a maior parte dos animais cruzados de Lopes:
– Eles nascem parecidos com o crioulo. É a partir do segundo mês que dá para notar que as ancas do animal ficam levemente divididas e maiores que as de um filhote crioulo puro.
Autora: Marina Lopes. Fonte: Zero Hora